RISCOS E BENEFÍCIOS DA REPOSIÇÃO HORMONAL NA MENOPAUSA

Hoje vou falar um pouco sobre os riscos e benefícios da reposição hormonal para a mulher na menopausa. Antigamente, na década de 80, a reposição hormonal com estrogênios e progestogênios era recomendada para praticamente todas as mulheres que já tinham entrado na Menopausa ou que estavam naquele período que antecedia a menopausa.

Nos anos 90, os estudos da época evidenciaram risco cardiovascular significantemente mais baixo nessas mulheres, quando comparadas aquelas que não faziam uso. Entretando, veio o estudo WHI, por volta de 2002 que desencadeou uma grande controvérsia no meio científico e a reposição hormonal foi drasticamente diminuindo. Esse estudo evidenciou um aumento de eventos tromboembólicos, AVC e câncer de mama. Mas esse estudo tem uma limitação. Foi feito com mulheres que já tinham entrado na menopausa há algum tempo, mais de 5 e algumas com mais de 10 anos de menopausa. Esse fato, claro, deixou todos nós médicos mais cuidadosos ao iniciar a reposição, mesmo com esse viés.


Mulheres menopausadas ou no climatério, que é aquele período de irregularidade menstrual que antecede a parada da menstruação começam a ter uma diminuição na síntese de gonadotrofinas, que são aqueles hormônios produzidos na hipófise e que estimulam os ovários a produzir seus hormônios. Essa disfunção támbém vem acompanhada e ainda agrava a falência dos ovários, os quais praticamente param de produzir estrogênios e progesterona. Daí vem todos aqueles sintomas que a gente já conhece. Irregularidade menstrual até a parada da menstruação, fogachos, secura vaginal, aumento ou diminuição da função sexual, dor durante a relação, etc.


Mulheres na menopausa também tem um risco aumentado de desenvolver doenças cardiovasculares. Entretanto, o que foi observado é que se a terapia hormonal fosse começada muito tardiamente, ou seja, se fosse perdida a janela de oportunidade, esse risco seria ainda maior. O mesmo se aplica em relação ao Acidente Vascular cerebral. Ou seja, mulheres que iniciaram muito tarde a reposição hormonal, perdendo a janela de oportunidade, tem um risco aumentado para desenvolver AVC isquêmico. O contrário ocorre se a reposição for iniciada antes, no período da perimenopausa.


Em relação ao colesterol, a terapia de reposição hormonal na menopausa mostrou aumento nos níveis de HDL e redução do LDL o que, aparentemente é até controverso se formos voltar a questão do risco cardiovascular. Já em se tratando do metabolismo do açúcar, ou seja, glicídico, a TRH mostrou-se, quando combinados os hormônios, uma redução no risco de desenvolvimento de DM2.

A osteoporose pós menopausa está diretamente correlacionada ao hipoestrogenismo e ao avanço da idade. A deficiência de estrogênio é responsável por aproximadamente 75% da redução da massa óssea nos primeiros 15 anos após a menopausa. Coisa pra caramba né? Nesses casos a TH mostrou grandes benefícios.


Sabe-se que o estrogênio atua no cérebro de frma protetora, promovendo a atividade colinérgica e reduzindo a perda neuronal. Além disso, o estrogênio pode melhorar o fluxo sanguíneo cerebral. Ou seja, com a menopausa, a mulher também tem maiores chances de apresentar declínio na função cognitiva Enfim, existem diversos benefícios da terapia de reposição hormonal na menopausa, como prevenção de osteoporose, melhora dos sintomas vasomotores (ou fogachos), melhora da atividade sexual, melhora no perfil lipídico, possível redução no risco de desenvolvimento de DM2, melhora na função cognitiva, prevenção primária de doenças cardiovasculares. Entretanto, existem riscos também associados a reposição, como trombose venosa profunda, Câncer de Mama e de endométrio (principalmente, nesse caso, se for utilizado o estrogênio isoladamente, ou seja, sem a progesterona).


Em relação a reposição com Hormônios Bioidênticos, ainda não existem muitos estudos consistentes para que nós médicos possemos nos basear com segurança para indicar a reposição ou modulação nesses casos. Possivelmente a reposição com bioidênticos nessa fase é muito menos prejudicial do que aquela com hormônios sintéticos, até porque os bioidênticos tem estrutura molecular idêntica aos hormônios produzidos pelo seu organismo.


Enfim, o ideal é: conversar com seu médico, ginecologista ou endocrinologista (são as especialidades mais indicadas nesses casos) para que você seja avaliada de maneira individual.