MASSA MUSCULAR E PÍLULA ANTICONCEPCIONAL

“Dra. E a pílula? Vai atrapalhar meu ganho de massa muscular?

Nos últimos 10 anos houve um aumento de mais de 600% do número de mulheres atletas (profissonais ou amadoras) e, nesse contexto, surge também uma nova busca pela estética corporal e performance esportiva. Você observa isso com um aumento considerável do número de mulheres com grande volume de massa muscular e baixo percentual de gordura. Surge um novo perfil de mulher: a mulher fitness.

Paralelo a esse crescimento estratosférico de mulheres saradas, surge o dilema: O anticoncepcional pode atrapalhar o ganho de massa muscular?

Vamos pensar juntas: Anticoncepcionais orais são hormônios femininos em doses suprafisiológicas (para que funcionem como contraceptivo, precisam ser doses assim!). Naturalmente, esses hormônios abaixam os níveis de testosterona livre circulante pois estimulam a formação de uma globulina pelo fígado que se liga muito fortemente a testosterona (tão forte que as vezes fica difícil de ela sair e atuar no corpo). Inúmeros estudos mostram que o uso de anticoncepcional está associado a deficiências androgênicas na mulher (deficiência de testosterona).

Em contrapartida, a testosterona é o hormônio responsável pela construção de músculos (além de desempenhar diversas outras funções). Além disso, atletas que usam anticoncepcional quando comparadas aquelas que usam camisinha como método contraceptivo, tendem a ter maior percentual de gordura, circunferência abdominal e menor quantidade de massa muscular.


Em suma: o uso de anticoncepcionais pode levar a deficiência de testosterona e essa se manifesta com sintomas de fraqueza, demora na recuperação muscular, falta de libido, ressecamento vaginal e dificuldade em ganhar massa muscular.

Então, respondendo a pergunta inicial: Anticoncepcional não é o método contraceptivo ideal para quem quer melhorar a performance física e atlética. Mas você consegue utilizar outro método contraceptivo? Penso que tudo precisa ser avaliado em conjunto: estilo de vida, personalidade, objetivos pessoais, perfil individual, idade, etc. Por isso, como médica, converso muito com minhas pacientes e oriento que elas também conversem com seus parceiros para que juntos possamos decidir, dentro daquele perfil, o que é o melhor.